sexta-feira, fevereiro 25, 2005

A ler

O artigo do MST, no Público, de hoje, sobre as eleições legislativas:
(...) 3. Foi vê-los sentados nas primeiras filas do Altis: alguns apenas felizes, outros expectantes, outros claramente já postulantes. Os socialistas alinhados para escutar o discurso de vitória de José Sócrates começaram por tudo aplaudir, sem critério. Depois, foram rareando as palmas, à medida que se foi tornando nítido que dali não sairia nada que a rua não dissesse melhor e mais sentidamente. E, no fim, foi já perante um embaraço constrangente que José Sócrates terminou um discurso onde, afinal, se percebeu a mais inacreditável das coisas: que ele não tinha nada para dizer. O homem tivera dias, semanas, meses, para pensar no discurso de vitória; acabara de saber que vai ser o próximo primeiro-ministro de Portugal, no que isso representa de honra e de responsabilidade; acabara de conduzir o PS a uma vitória histórica e o país acabara de lhe dar a tão almejada maioria absoluta: e ele não tinha nada para dizer, para além de lugares-comuns tão absurdos como "o meu desejo é formar um governo de gente competente".Foi puro gelo. Frustrante, desesperante, pior ainda: preocupante. Para bem de Portugal, todos desejamos que o que lhe falta em capacidade oratória, em inspiração e em "alma", lhe sobre em capacidade de orientação e de clarividência governativa. E todos desejamos que muitas daquelas caras ali presentes e que ele fez cabeças de lista pelo país fora não sejam reencontradas no próximo Governo. As primeiras informações sobre isso são animadoras, mas é preciso ver para crer. Com as condições que tem para formar governo, não há a mais pequena desculpa nem a mais pequena razão para que seja a própria composição do Governo a servir para prolongar a descrença. Os portugueses fizeram a sua parte; o PS e José Sócrates não podem fugir a fazer a sua. Seria como reanimar um morto apenas para lhe comunicar que ele não tem esperança de sobrevivência.

P.S. Faço meus os votos do MST: Para bem de Portugal, todos desejamos que o que lhe falta [a José Sócrates] em capacidade oratória, em inspiração e em "alma", lhe sobre em capacidade de orientação e de clarividência governativa, acrescentando agora eu, tendo apenas e sempre em vista o superior interesse colectivo nacional.
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