quarta-feira, abril 27, 2005

A escola e "os aspectos de ordem afectivo-emocional"

O Público de hoje traz uma série de artigos/notícias sobre a educação, muito elucidativos do seu (péssimo) estado actual em Portugal, apontando, ainda, caminhos para o corrigir.

Entre os ditos artigos, veja-se a entrevista feita a Fátima Bonifácio:

(...)
Os exames nacionais antes do final do secundário podem ser dispensáveis em sistemas de ensino que reúnam pelo menos duas ordens de condições: serem altamente responsabilizadores de professores e alunos e dominados por uma cultura de grande rigor e exigência; gozarem de uma estabilidade do corpo docente que permita aos professores de cada escola conhecerem-se uns aos outros e conhecerem os "seus" alunos. Estas condições não estão reunidas nas escolas portuguesas. Os exames nacionais antes do 12º ano são aqui justificados e necessários como um antídoto contra a preguiça e o facilitismo. São-no também como um meio de avaliação dos conhecimentos efectivamente adquiridos pelos alunos. Num comunicado citado pelo PÚBLICO de 16 de Abril, o PCP deplorava que os exames nacionais do 9º ano deixassem "para último plano os aspectos de ordem afectivo-emocional, relacionais, as atitudes e a aplicação prática do saber", e que se limitassem a avaliar conhecimentos! Este tipo de discurso, que combina vacuidade e pieguice, é exemplar da mentalidade dominante segundo a qual a escola serve para tudo menos para trabalhar e aprender. Não tenho dúvidas de que estas "teorias" pedagógicas são as principais responsáveis pelo clamoroso fracasso do sistema educativo nacional.
(...)
A chave do sucesso finlandês e coreano, com métodos bastante diferentes, é só uma e chama-se trabalhar. Em Portugal não se trabalha: não trabalham os alunos nem os professores (salvo excepções, claro). Quando os alunos chegam à Universidade, não chegam apenas ignorantes, chegam sem nenhuma espécie de hábitos de trabalho. As "boas práticas" identificáveis nos sistemas finlandês e coreano não produzirão resultados nenhuns se forem introduzidas num sistema de educação que no plano organizativo se rege pelo princípio da integração e uniformização à escala nacional; que no plano da gestão escolar se pauta por uma ideologia basista conducente à irresponsabilização; e que no plano da "filosofia educativa" aposta na escola lúdica, vocacionada para o desenvolvimento de "competências" em vez da aquisição de conhecimentos. A escola é antes de mais um lugar onde se trabalha e aprende.

segunda-feira, abril 18, 2005

O DIREITO À VIDA NA UE

O DIREITO À VIDA NA UE
Nos jardins de Belém existe um painel de azulejos alusivo à Carta dos Direitos Fundamentais da União Europeia, promovido, entre o outras entidades, pelo Centro de Informação Jacques Delors e pela Junta de Freguesia de Sta. Maria de Belém.



O painel até é original e a mensagem importante. A curiosidade está na interpretação que se faz do artigo 2.º daquela Carta segundo o qual “Todas as pessoas têm direito à vida. Ninguém pode ser condenado à morte, nem executado.”




A "criança" que ilustrou este fê-lo de forma original o que me leva a dizer "abençoados pais que geram crianças tão esclarecidas"


in Jumento


quinta-feira, abril 07, 2005

Porque se apelida de Papa ao chefe da Igreja Católica?

"Petri Apostoli Potestam Accipiens", ou seja "O que aceita o poder do Apóstolo Pedro".

quarta-feira, abril 06, 2005

Como estamos na época...uma tira sugestiva


Infelizmente, esta asserção tem um fundo de verdade

"Tomaram muitos países africanos terem lá empresas estrangeiras a explorá-los - o drama é serem pura e simplesmente ignorados. Sofrem de globalização a menos e não a mais"
Francisco Sarsfield Cabral, Diário de Notícias, 5-4-2005

sexta-feira, março 04, 2005

Europa treme de frio


A neve que cobre os canais de Milão é a face mais visível da vaga de frio que atingiu nos últimos dias grande parte da Europa. As temperaturas desceram a valores pouco habituais para o mês de Março, com o gelo e a neve a prejudicarem a circulação em aeroportos e estradas um pouco por todo o Velho Continente. Em Portugal, o frio intenso registado na madrugada de dia 1 pode regressar a alguns pontos do país durante o fim-de-semana.
(Foto: Alberto Pellaschiar)
(in Público, 04.03.2005)

É uma imagem, friamente, bela...

sexta-feira, fevereiro 25, 2005

A ler

O artigo do MST, no Público, de hoje, sobre as eleições legislativas:
(...) 3. Foi vê-los sentados nas primeiras filas do Altis: alguns apenas felizes, outros expectantes, outros claramente já postulantes. Os socialistas alinhados para escutar o discurso de vitória de José Sócrates começaram por tudo aplaudir, sem critério. Depois, foram rareando as palmas, à medida que se foi tornando nítido que dali não sairia nada que a rua não dissesse melhor e mais sentidamente. E, no fim, foi já perante um embaraço constrangente que José Sócrates terminou um discurso onde, afinal, se percebeu a mais inacreditável das coisas: que ele não tinha nada para dizer. O homem tivera dias, semanas, meses, para pensar no discurso de vitória; acabara de saber que vai ser o próximo primeiro-ministro de Portugal, no que isso representa de honra e de responsabilidade; acabara de conduzir o PS a uma vitória histórica e o país acabara de lhe dar a tão almejada maioria absoluta: e ele não tinha nada para dizer, para além de lugares-comuns tão absurdos como "o meu desejo é formar um governo de gente competente".Foi puro gelo. Frustrante, desesperante, pior ainda: preocupante. Para bem de Portugal, todos desejamos que o que lhe falta em capacidade oratória, em inspiração e em "alma", lhe sobre em capacidade de orientação e de clarividência governativa. E todos desejamos que muitas daquelas caras ali presentes e que ele fez cabeças de lista pelo país fora não sejam reencontradas no próximo Governo. As primeiras informações sobre isso são animadoras, mas é preciso ver para crer. Com as condições que tem para formar governo, não há a mais pequena desculpa nem a mais pequena razão para que seja a própria composição do Governo a servir para prolongar a descrença. Os portugueses fizeram a sua parte; o PS e José Sócrates não podem fugir a fazer a sua. Seria como reanimar um morto apenas para lhe comunicar que ele não tem esperança de sobrevivência.

P.S. Faço meus os votos do MST: Para bem de Portugal, todos desejamos que o que lhe falta [a José Sócrates] em capacidade oratória, em inspiração e em "alma", lhe sobre em capacidade de orientação e de clarividência governativa, acrescentando agora eu, tendo apenas e sempre em vista o superior interesse colectivo nacional.

quinta-feira, fevereiro 17, 2005

"Já enviou 'curriculas'?"

Este parágrafo do artigo do JPP, no Público de hoje (Todos estes funcionários e assessores são militantes activos controlando secções ou sendo protegidos pela rede de influências que inclui deputados e dirigentes locais. Alguns são familiares dos familiares que chegaram a um emprego bastante razoável por esta via. O sistema de fidelidades e infidelidades políticas funciona aqui em pleno, visto que o recrutamento é fechado (dentro do partido, o que é natural), mas dependente da influência e não do mérito. As decisões são puramente discricionárias. Uns "chegaram" via JSD outros pelos TSD, outros pelas distritais, num sistema invisível de quotas que inclui muito clientelismo e patrocinato individual.) fez-me lembrar um comentário que um amigo meu costuma fazer a propósito deste processo de recrutamento dos boys:

Deveria perguntar-se, antes das nomeações:
"Já enviou 'curriculas' para arranjar trabalho (fora do partido ou do aparelho governativo)?"

Em caso de resposta afirmativa, já seria um (leve) indício de que, pelo menos uma vez, não fez parte do "Partido do Estado" (infra objecto de comentário) e de que, eventualmente, já teria dado provas da sua competência na sociedade civil.

"Já enviou curriculuns?"

Este parágrafo do artigo do JPP, no Público de hoje (Todos estes funcionários e assessores são militantes activos controlando secções ou sendo protegidos pela rede de influências que inclui deputados e dirigentes locais. Alguns são familiares dos familiares que chegaram a um emprego bastante razoável por esta via. O sistema de fidelidades e infidelidades políticas funciona aqui em pleno, visto que o recrutamento é fechado (dentro do partido, o que é natural), mas dependente da influência e não do mérito. As decisões são puramente discricionárias. Uns "chegaram" via JSD outros pelos TSD, outros pelas distritais, num sistema invisível de quotas que inclui muito clientelismo e patrocinato individual.) fez-me lembrar um comentário que um amigo meu costuma fazer a propósito deste processo de recrutamento dos boys:

Deveria perguntar-se, antes das nomeações:
"Já enviou 'curriculas' para arranjar trabalho (fora do partido ou do aparelho governativo)?"

Em caso de resposta afirmativa, já seria um (leve) indício de que, pelo menos uma vez, não fez parte do "Partido do Estado" (infra objecto de comentário) e de que, eventualmente, já teria dado provas da sua competência na sociedade civil.

terça-feira, fevereiro 15, 2005

A oportunidade do PSD ter maioria absoluta:

Suspender a campanha eleitoral em sinal de luto pela alma Benfiquista, obtendo, assim, 6.000.000 de votos.

Benfica: morreu João Santos (in PortugalDiário)


quinta-feira, fevereiro 10, 2005

Como é que o BLOCO de ESQUERDA ainda não se lembrou desta?!



Alemanha cria semáforos para peões no feminino

Ai, ai, Dr. Louçã, anda a perder qualidades. Ontem quase gaguejava na entrevista com a Constança Cunha e Sá...

Público: um exemplo a seguir

É bonito este gesto do Público. Dúvido que outro o fizesse.

terça-feira, fevereiro 08, 2005

A propósito de citações...

Acabei de ler este livro, que versa sobre a eutanásia.
Scott Peck, autor do best-seller O Caminho menos percorrido, ao confessar-se um manícao do controlo, afirma sentir-se tocado por duas citações:

A vida não é um problema a ser resolvido, mas um mistério a ser vivido
e
A vida é o que nos acontece enquanto estamos a fazer outros planos



A propósito da campanha eleitoral...

um ditado persa:

Duas coisas indicam fraqueza: calar-se quando é preciso falar e falar quando é preciso calar-se

e uma frase de Séneca:

Quando um homem não sabe a que porto se dirige nenhum vento lhe é favorável



sábado, fevereiro 05, 2005

Católicos Não Podem Pertencer à Maçonaria

esclarecimento prestado pelo Cardeal D. José Policarpo, objecto de notícia no Público de hoje.

A Maçonaria sempre afirmou, e continua a afirmar, a prioridade absoluta da razão natural como fundamento da verdade, da moralidade e da própria crença em Deus. A Maçonaria não é um ateísmo, pois admite um 'deus da razão'. Exclui qualquer revelação sobrenatural, fonte de verdades superiores ao homem, porque têm a sua fonte em Deus, não aceitando a objectividade da verdade que a revelação nos comunica, caindo na relatividade da verdade a que cada razão individual pode chegar, fundamentando aí o seu conceito de tolerância.

sexta-feira, fevereiro 04, 2005

As imagens também mentem...



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Apesar de ter posto o pé nos países assinalados, não posso dizer, por exemplo, que conheça os EUA (incluindo o Alaska), o Brasil ou a China.

Dois pensamentos me assaltam:
- dá para ver que há todo um planeta por descobrir (e ainda bem); e
- tendo em conta a nossa (Portuguesa) reduzida dimensão (geográfica e não só), que força guiou os nossos avós há cinco séculos atrás? Será que está adormecida? Para quando, então, o seu (re)despertar?


"Guerreiro Menino"

Munam-se de um lenço-de-mão, cliquem em:
http://www.psd.pt/

Do lado esquerdo da página, façam o percurso:

A Campanha > Video >

e depois cliquem em “Guerreiro Menino”

P.S. Pronto, afinal já não voto no Jerónimo, mas no menino...

Aditando, eis a letra. Nem o Zeca conseguia melhor...

Um homem também chora
Menina morena
Também deseja colo
Palavras amenas

Precisa de carinho
Precisa de ternura
Precisa de um abraço
Da própria candura

Guerreiros são pessoas
São fortes, são frágeis
Guerreiros são meninos
No fundo do peito

Precisam de um descanso
Precisam de um remanso
Precisam de um sonho
Que os tornem refeitos

É triste ver este homem
Guerreiro menino
Com a barra de seu tempo
Por sobre seus ombros

Eu vejo que ele berra
Eu vejo que ele sangra
A dor que traz no peito
Pois ama e ama

Um homem humilha-se
Se lhe castram os sonhos
Seu sonho é sua vida
E a vida é trabalho

E sem o seu trabalho
Um homem não tem honra
E sem a sua honra
Morre-se, mata-se

Não dá pra ser feliz
Não dá pra ser feliz



quinta-feira, fevereiro 03, 2005

Está decidio o meu voto: Jerónimo de Sousa

Família Tradicional Está Fora da Campanha Eleitoral

Candidatos a primeiro-ministro divorciados (José Sócrates e Santana Lopes), solteiros (Paulo Portas) ou a viver em união de facto (Francisco Louçã). Só o secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, é legalmente casado. A família tradicional não entra nesta campanha: "Na América isto não passava", afirma o sociólogo António Barreto. (...)

(in Público, d'hoje)


quarta-feira, fevereiro 02, 2005

A varinha de condão de Sócrates para os 150.000 empregos

If you don't take a job as a prostitute, we can stop your benefits

Vem no insuspeito e sóbrio The Guardian...
'A 25-year-old waitress who turned down a job providing "sexual services'' at a brothel in Berlin faces possible cuts to her unemployment benefit under laws introduced this year.Prostitution was legalised in Germany just over two years ago and brothel owners – who must pay tax and employee health insurance – were granted access to official databases of jobseekers.
The waitress, an unemployed information technology professional, had said that she was willing to work in a bar at night and had worked in a cafe.
She received a letter from the job centre telling her that an employer was interested in her "profile'' and that she should ring them. Only on doing so did the woman, who has not been identified for legal reasons, realise that she was calling a brothel.

Under Germany's welfare reforms, any woman under 55 who has been out of work for more than a year can be forced to take an available job – including in the sex industry – or lose her unemployment benefit. Last month German unemployment rose for the 11th consecutive month to 4.5 million, taking the number out of work to its highest since reunification in 1990.
The government had considered making brothels an exception on moral grounds, but decided that it would be too difficult to distinguish them from bars. As a result, job centres must treat employers looking for a prostitute in the same way as those looking for a dental nurse.
When the waitress looked into suing the job centre, she found out that it had not broken the law. Job centres that refuse to penalise people who turn down a job by cutting their benefits face legal action from the potential employer.
"There is now nothing in the law to stop women from being sent into the sex industry," said Merchthild Garweg, a lawyer from Hamburg who specialises in such cases. "The new regulations say that working in the sex industry is not immoral any more, and so jobs cannot be turned down without a risk to benefits." (...)

É, obviamente, um caso extremo, barroco, e pode-se alegar que por cá nunca acontecerá disto, uma mulher arriscar-se a ficar sem subsídio de desemprego por... recusar um emprego como call girl, mas esta visão crua, geométrica e pragmática, chamemos-lhe assim, do mundo dá que pensar. É, tão só é bom recordar, uma visão tecnocrata.

(do grandelojadoqueijolimiano)

Terá sido coincidência a visita de Sócrates à Alemanhã???

vide Sócrates em consonância de posições com Schroeder (in Portugaldiário)

Um caso que poderia ter sido tirado deste livro? Talvez sim, talvez não...



o site de campanha do Saramago

Todos nós podemos dar UM SINAL PARA A MUDANÇA : O VOTO EM BRANCO

(do "seu" blog )


De leitura imprescindível

o artigo de Medina Carreira, no Público de ontem.

Eu faço parte da pequena minoria que não pertence ao "Partido do Estado", composto por 4,5 milhões de indivíduos (...) os quais Têm em comum a dependência directa do Orçamento e representavam, em 2003: 43 por cento da população residente; 56 por cento do eleitorado; 62 por cento da população com mais de 24 anos de idade. Pensionistas e subsidiados (mais de 3,8 milhões), equivaliam a 70 por cento da população activa. Este "Partido do Estado" absorvia 70 por cento dos impostos cobrados (1980); atinge agora os 85 por cento (2003). O pessoal político dos principais partidos "invade" progressivamente o Estado e pretende mais funcionários, mais pensionistas, mais subsídios e mais subsidiados, porque aí pode angariar mais votos. Os que ainda estão fora do "Partido do Estado" constituem uma minoria cada vez mais desiludida, reduzida e silenciada, e menos influente. Adormecido e enganado, Portugal trilha o caminho para o desastre financeiro do Estado e para uma pobreza mais generalizada dos portugueses. Ninguém nos acode.

À luz do artigo supra citado, apetece perguntar, tendo em conta que o BE é tido por estar do lado das minorias, porque não defendem, antes, os cortes necessários para por termo à grande maioria constituída por uma cambada de ladrões, uma cabada de gatunos e uma cambada de chupistas (in video do gatofedorento)???


sábado, janeiro 29, 2005

Os meus pobrezinhos

No meio da discussão que tem havido sobre direita, aborto, conservadorismo, moralismo e fascismo de esquerda, vícios públicos ou privados, há um ponto essencial: a repulsa da esquerda pela diferença que não é sua.

A esquerda gosta das minorias, só não admite que as minorias não sejam de esquerda. É essa a primeira razão da sua muito maior intolerância. É verdade que alguma direita tem tendência para impôr uma visão moral do mundo. Mas é bem verdade também que há uma forte tendência na esquerda para o fazer com recurso ao pior dos argumentos: quem não pensa como nós é hipócrita. A esquerda gosta de homossexuais, só não admite que eles possam ser conservadores. A esquerda protege os pobres, só não aceita que eles sejam a favor do capitalismo. A esquerda defende os desempregados, só não admite que eles sejam economicamente liberais. A esquerda compreende os divorciados, só não concebe que eles sejam católicos.

A esquerda gosta que as minorias sejam isso mesmo. Minorias a tempo inteiro. Um divorciado, um desempregado, um pobre, um homossexual, uma mulher (tinha-me esquecido da hiper-minoria feminina), têm de ser apenas isso. E, presume a esquerda, se assim forem, serão de esquerda.

É aqui que tudo falha. Para começar, teríamos de admitir, e eu não admito, que cada um destes interesses específicos é melhor defendido pela esquerda. Não é. Mas, a benefício do argumento, compreendamos que a esquerda acha mesmo que sim.

Sobra a segunda parte do problema. Ninguém é apenas divorciado, homossexual, pobre, desempregado ou mulher. Até se pode ser tudo isso ao mesmo tempo, e ainda assim ser sempre mais qualquer coisa. Ser gente a tempo inteiro. É isso que a esquerda não admite. É por isso que tem mais tendências totalitárias do que a direita que tem inclinações autoritárias.

A esquerda adora os pobrezinhos. Desde que sejam, obedientemente, seus. Genuinamente - e esse é o problema - não concebe outra possibilidade.

(in achoeu)

quinta-feira, janeiro 27, 2005

Apontamento futebolístico-enófilo

Quando esteve em Stamford Bridge, Alex Ferguson não gostou do vinho que lhe foi servido. "O que ele [José Mourinho] me deu parecia diluente e reparei que nem ele, nem Roman Abramovich lhe tocaram", disse o treinador do Manchester United. E José Mourinho, não querendo ficar mal visto, decidiu presentear o conhecedor Sir Alex, não com qualquer coisa vulgar que se pode comprar nos supermercados, mas com uma garrafa do melhor que Portugal tem para oferecer, um Barca Velha de 1964. "É o melhor tinto português, uma lenda no mundo dos vinhos. [A colheita de 64] é um belo presente. Na década de 60 foi um vinho único, 30 anos adiantado no seu tempo", frisou ao jornal inglês "The Guardian" o enólogo britânico Richard Mayson, importador e especialista em vinhos portugueses, que, apesar de ser adepto do Manchester United, elogiou a escolha do treinador do Chelsea. "Só pode ser uma garrafa da sua adega pessoal, porque é um vinho raro e magnífico", acrescentou. Em Inglaterra, um Barca Velha de 64, proveniente das vinhas do vale do Douro e produzido pela Ferreira Vinhos da mítica Ferreirinha, custa cerca de 350 euros: "Não sei o que Sir Alex costuma beber, quem aprecia vinho vai gostar deste. O vinho é subtil e delicado. Não tem muito a ver com o estilo do senhor Mourinho. Talvez seja uma outra faceta da sua personalidade". M.V.
(in Público, 27.01.2005)

O Futebol devia ser assim: um combate entre cavalheiros, e, consequentemente, honesto, limpo, civilizado, mas sem prejuízo da competitividade.

quarta-feira, janeiro 26, 2005

"Amêijoa política", PP dixit

Por vários motivos não tenho feito comentário político aqui, nomeada e especialmente, por falta de tempo, mas aqui vai uma rapidinha.

Ontem só tive oportunidade de ver o fim do debate entre PP e JS, na SicNotícias. Do que vi, pareceu-me confirmar-se, de certo modo, o aforismo de que "os extremos se tocam".

Mas não venho aqui fazer comentários generalistas sobre o dito debate, mas sim, relevar o que PP disse, a propósito das acusações de incoerência que JM lhe dirigiu, por aquele, enquanto director do Independente ter tido uma opinião àcerca de certos temas, como a europa e as pescas, e agora, enquanto governante, ter outra.

Em resposta, PP ameaçou lembrar o passado do PCP, e acabou por dizer, invocando Deus, que se não tivessem passado político eram umas "amêijoas políticas".

Bom, como nunca se falou tanto na tomada de poder pela sociedade civil, em especial pelas elites, parece-me, afinal, que o que esta corrente propõe, no dizer de PP, é que Portugal passe a ser liderado por Bulhão Pato...



A propósito das "amêijoas à bulhão pato", aqui fica um apontamento gastronómico:

"Curiosamente, deveriam chamar-se antes “para” ou “em
honra de” Bulhão Pato, porque quem as inventou foi o
João da Mata, um célebre cozinheiro do século XIX
lisboeta, que as fez em homenagem a essa figura
marcante da época."


e uma nota bibliográfica:

Raimundo António de Bulhão Pato (03/03/1829-24/08/1912) nasceu em Bilbau, Espanha, e faleceu no Monte da Caparica, perto de Lisboa. Era filho de portugueses, tendo seu pai, Francisco Bulhão Pato, sido conhecido como poeta. Passou a sua infância numa aldeia perto de Bilbau. A família regressa a Lisboa e Bulhão Pato matricula-se na Escola Politécnica. Começa a colaborar em vários jornais e revistas, de que se destacam O Panorama e a Revista Universal Lisbonense. Convive com Almeida Garrett, Alexandre Herculano, Latino Coelho, Gomes da Silva, Antero de Quental e Gonçalves Crespo. Dedica-se à poesia e à tradução, vertendo para português Shakespeare, Saint-Pierre e Victor Hugo. Eça de Queirós caricaturou-o através da personagem Alencar do romance Os Maias, por ser um dos representantes do Ultra-Romantismo português. Obras: Poesias (1850), Paquita (romance, 1856), Flores Agrestes (poesia, 1870), Memórias (vários volumes, publicados entre 1877-1907).


terça-feira, janeiro 25, 2005

Para quem não tenha visto ou não se recorde,

o original da capa da The Economist do post infra

.

Manifesto de Desagrado


(in Grandelojadoqueijolimiano)

domingo, janeiro 23, 2005

e a propósito do Zé Povinho

é de ler o artigo de AB, no Público, retratando o actual estado das coisas.
Sem caricaturas.
Apenas a verdade nua e crua (como um bom bife tártaro).

Eis dois parágrafos:
Aos indicadores económicos, acrescentam-se sinais de outra natureza, de difícil prova. Nunca o asco aos políticos esteve tão vigoroso. Não me lembro de já ter sentido tão evidente descrédito, tão amarga desconfiança. Nunca vi tanta gente a pensar em votar por exclusão de partes, contra um e não a favor de outro, em branco ou num partido marginal. Há quem hesite, entre Portas, Louçã ou Jerónimo, só para não votar Santana ou Sócrates. Cada vez mais vejo gente que sabe quem não quer, mas não sabe quem quer. Ou antes, não quer nenhum.

É verdade que nos encontramos num dos momentos mais difíceis da nossa vida colectiva das últimas décadas. Mas nem sempre parece... As pontes e os fins de semana alargados, assim como as férias no Brasil, dão sinais contrários. Tal como a construção de centros comerciais, sem falar nas casas secundárias, nos carros de boas marcas e no consumo de electrodomésticos, de telemóveis e outros instrumentos digitais... Será tudo isto ilusão? Tipicamente a véspera da grande crise? Será a doçura de costumes que antecede os desastres? Ou a antecâmara da revolução? É provável que não se esteja a preparar um golpe. Nem uma revolução. Muito menos o fascismo. Nem sequer a bancarrota. Mas, como disse Medina Carreira, preparamos a pobreza. Com origem no esgotamento das estruturas produtivas, na incapacidade criativa e na falta de recursos. A que não falta a erosão das instituições e da vida pública.

Rafael Bordalo Pinheiro

morreu há 100 anos. Aqui fica a nossa justa homenagem, com os dois conhecidos "Zé Povinho", que se mantêm actuais



Mais desenvolvimentos: aqui, ali, e acolá.

sábado, janeiro 22, 2005

W. na recente tomada de posse

mas qual o significado de tal gesto?



eis o escalrecimento do RuadaJudiaria:
As aparências iludem mesmo e a linguagem dos gestos está longe de ter uma interpretação universal. Na foto, a mão erguida do presidente americano representa a tradicional saudação texana conhecida como “Hook 'em, 'horns!”, o “grito de guerra” da equipa de futebol americano da Universidade do Texas, os Longhorns (que traduzido dá qualquer coisa como “cornos longos”). Bush usou a saudação em Washington enquanto assistia ao desfile da banda de música da universidade texana – um gesto que seria repetido igualmente pela sua mulher e pelas filhas. Em Portugal, onde é usado com frequência como “saudação” automobilística, tem o significado que todos sabemos. Na Noruega, o jornal Verdens Gang sentiu-se na obrigação de explicar aos seus leitores que Bush não estava a fazer uma saudação satânica, ao contrário do que os costumes locais fariam prever.


sexta-feira, janeiro 21, 2005

Confirma-se...

a depressão colectiva Portuguesa.

Não costumo andar de metro, mas há pouco, por acaso - a meio da tarde para mim, fim do dia para a maior parte das pessoas - tive que ir a um certo sítio, e utilizei o dito meio de transporte.

Fiquei impressionado com o ar sorumbático das pessoas, em pleno início de fim-de-semana, e eu ainda iria regressar à minha labuta.

O que vale é que eram apenas 3 estações, se não ainda ficava deprimido.

Atento o supra exposto, e como estamos em plena pré-campanha, seria uma ideia interessante a de alguns partidos proporem animadores(as) de transportes públicos, para levantar a moral aos habitantes deste jardim à beira mar plantado e que falta cumprir.

Ainda a propósito do debate Louçã-Portas

mais um post, desta vez no officelounging, a propósito da tirada do Louçã que, às tantas, se dirigiu a Portas com crispação, dizendo que este não tinha autoridade para falar da vida : “Não o autorizo, o senhor não tem o direito de falar da vida, o senhor não sabe o que é gerar uma vida! Eu sei, eu tenho uma filha!”. Foi o momento mais tenso do debate e, na minha modesta opinião, o pior.

Ainda no mesmo debate:
Há imagens que ficam, como aquela do ecrã dividido, onde vemos Portas em pose mais ou menos hirta e de dedo em riste, numa situação de algum aperto, a dizer algo assim, “ ó dr. Louçã, não me estique o dedo”.

Para quem viu o debate de ontem...

entre o FL e o PP, na SicNotícias, eis uma piada a propósito do mesmo, publicada no Quintodosimpérios:

Francisco Louçã acaba de proibir quem não tem filhos de ser contra o aborto.




quinta-feira, janeiro 20, 2005


 Posted by Hello

quarta-feira, janeiro 19, 2005

A simbologia do crime

ou mutatis mutandis, diria eu...



O DN de hoje transcreve uma afirmação de Silvana Koch-Merin, deputada alemã ao Parlamento Europeu: «toda a Europa sofreu no passado em consequência dos crimes dos nazis. Por isso, seria lógico que os símbolos nazis fossem banidos de toda a Europa». E pronto.Recorrendo ao mesmo critério, e admitindo que essa coisa do banimento de símbolos é factível (e não é contraproducente), lembro-me de mais qualquer coisa a juntar à lista de proscrições.
(in quintodosimpérios)




domingo, janeiro 16, 2005

Martunis

é o nome da criança, natural da província de Aceh, na Indonésia, encontrada com vida ao cabo de 19 dias após o maremoto asiático.

O que há de especialíssimo no facto?

O Martunis vestia uma camisola da selecção de futebol Portuguesa
quando foi encontrado, por uma equipa da Skynews.


Vai daí, a selecção nacional Portuguesa vai oferecer uma casa e um terreno à família de Martunis.





Московское метро

SUGESTÃO PARA UM MOMENTO DE LAZER CULTURAL:

Visitar as estações de metro de Moscovo; bem adornadas e sem o perigo de sofrer um atentado Tchecheno, tudo isto
aqui (basta clicar nas estações pretendidas).

Eis um bonito exemplo... evocativo dos bons velhos tempos




"Eles" visitaram agalinhadaminhavizinha...



Não é que "eles" existem mesmo e visitaram este blog...
Eles quem, perguntam os meus queridos leitores?..
Os ESTRA-TERRESTRES, os ALIENS!!
Ora então, ainda não repararam que do quadro supra, relativo aos continentes a partir dos quais os nossos queridos leitores visitam o "agalinhadaminhavizinha" há um "unknown"?!
São eles...



sábado, janeiro 15, 2005

Visão de um muçulmano do maremoto Asiático...

FORNICAÇÃO. Fawzan Al-Fawzan, professor na universidade Al-Imam, na Arábia Saudita, tem uma explicação para a ocorrência do maremoto asiático:
«We know that at these resorts, which unfortunately exist in Islamic and other countries in South Asia, and especially at Christmas, fornication and sexual perversion of all kinds are rampant. The fact that it happened at this particular time is a sign from Allah. It happened at Christmas, when fornicators and corrupt people from all over the world come to commit fornication and sexual perversion. That's when this tragedy took place, striking them all and destroyed everything. It turned the land into wasteland, where only the cries of the ravens are heard. I say this is a great sign and punishment on which Muslims should reflect.»

(in Aviz)

sexta-feira, janeiro 14, 2005

José Sócrates, o grande manipulador...

relato duma reunião de censura jornalística prévia com JS, no Grandelojadoqueijolimiano.

Bomba (Química) Sexual...

...estes americanos são loucos!


O Ministério da Defesa norte-americano (Pentágono) considerou desenvolver um conjunto de armas químicas não letais para abalar a moral e a disciplina das tropas inimigas, tais como uma bomba sexual, indicam documentos secretos agora divulgados.
Uma das armas mais bizarras consistia no desenvolvimento de um afrodisíaco que tornasse os soldados inimigos sexualmente irresistíveis uns para os outros.
(...)
(no Diário Digital)

Será que uma eventual amostra deste químico caiu no chão dum Ministério da Defesa de um dado país europeu amigo do Uncle Sam e se partiu???

O PRIMEIRO MILHAR DE VISITAS

A Sexta-feira 14 de Janeiro de 2004 ficará para a história da Blogosfera, modéstia à parte...

Aqui fica uma plavra de agradecimento: OBRIGADO.
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O vizinho da Galinha

quinta-feira, janeiro 13, 2005

PSL e JS, vistos no Brasil

Fado Tropical
As eleições de 20 de fevereiro em Portugal trazem um quadro para lá de curioso. O candidato do PSD (centro-direita) é Pedro Santana Lopes, atual primeiro-ministro boêmio declarado, três casamentos desfeitos, 5 filhos, jovem, extrovertido e elegante, é um orador brilhante, apoiado pela classe artística e odiada pelo banqueiros. Seu imposto de renda é surpreendente: só dívidas e nenhum bem imóvel ou carro para declarar. Já o líder do Partido Socialista e José Sócrates, também jovem e separado, já faz mais o tipo introspectivo e desconfiado. Rico, mora num dos bons edifícios de Lisboa, tem uma Mercedes último tipo e mantém uma amizade íntima prá lá de estável e coloridíssima com o jovem e belo ator Diogo Infante, um ídolo da TV local.
(em www.gibaum.com.br, de 05.01.05)

Nosso comentário:
"Aí, irmão, só descobriu mitade da pirúca...né?!"

Ressaca

por JCN, no DN.

quarta-feira, janeiro 12, 2005

WEBCEDÁRIO

Diálogos entre caractéres...


sexta-feira, janeiro 07, 2005

Verdades Intemporais...

Frases retiradas de revistas femininas da década de 50 e 60

Não se deve irritar o homem com ciúmes e dúvidas. (Jornal das Moças, 1957)

Se desconfiar da infidelidade do marido, a esposa deve redobrar seu carinho e provas de afecto. (Revista Claudia, 1962)

A desarrumação numa casa-de-banho desperta no marido a vontade de ir tomar banho fora de casa. (Jornal das Moças, 1965)

A mulher deve fazer o marido descansar nas horas vagas. Nada de incomodá-lo com serviços domésticos. (Jornal das Moças, 1959)

Se o seu marido fuma, não arranje zanga pelo simples facto de cair cinzas nos tapetes. Tenha cinzeiros espalhados por toda casa.
(Jornal das Moças, 1957)

A mulher deve estar ciente que dificilmente um homem pode perdoar a uma mulher que não tenha resistido a experiências pré-núpciais, mostrando que era perfeita e única, exactamente como ele a idealizara. (Revista Claudia, 1962)

Mesmo que um homem consiga divertir-se com sua namorada ou noiva, na verdade ele não irá gostar de ver que ela cedeu. (Revista Querida, 1954)

O noivado longo é um perigo. (Revista Querida, 1953)

É fundamental manter sempre a aparência impecável diante do marido.
(Jornal das Moças, 1957)

E para finalizar, a melhor de todas:

O LUGAR DA MULHER É NO LAR. O TRABALHO FORA DE CASA MASCULINIZA. (Revista Querida, 1955)

segunda-feira, janeiro 03, 2005

Pe. António Vieira, no Abrupto

"A diferença entre Miguel e Lucifer"

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